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Via Livre já para o cajueiro de Pirangi

E o cajueiro de Pirangi, hein? Quietinho no canto dele, sem mexer com ninguém – na opinião dos ecochatos, claro! – foi o grande vilão do revéillon 2010 e tudo indica que assim permanecerá até a Quarta-Feira de Cinzas. Milhares de potiguares que foram ver o espocar dos fogos e ouvir o tintilar das taças de champanhe para além de Pirangi do Norte comeram o caju que o diabo amassou, com o perdão do trocadilho, por causa dos galhos do maior Anacardium occidentale do mundo. Como se a anomalia genética centenária fosse mais importante que o direito de ir e vir, só há hoje uma pista de rolamento para os carros transitarem naquela rodovia. Aí é um Deus nos acuda. Não foi brinquedo não, como relataram twitteiros de plantão: muita gente viu o sol do primeiro dia do ano nascer dentro do carro, porque o trânsito simplesmente não fluía, e muitos chegaram a clamar pelo Via Livre naquele entorno. Um turista paulista, revoltadíssimo, bradou em alto e bom som para uma equipe de TV: “e quando os galhos dessa árvore chegarem em São Paulo?” Aqui pra nós, a bem da verdade, a primeira vez que vamos conhecer o maior cajueiro do mundo ficamos um pouco decepcionados, não ficamos? Afinal, todo mundo imagina que ele é o maior do mundo para o alto, formando uma torre gigantesca, como a de Babel. Quando se constata que ele é grandão por causa da área de terreno pela qual se esparrama, intocável no seu berço esplêndido de egoísmo, vamos confessar: o máximo que dá é para esboçar um sorriso amarelo, bater um retrato rapidinho e seguir em frente. É a mesma coisa que acontece no famoso cruzamento das avenidas Ipiranga X São João, em São Paulo, na Linha do Equador, em Macapá, ou na fonte de Marília de Dirceu, em Tiradentes. Cara de paisagem. Foto de Orkut. E nada mais. A solução, como todos esperam, é um meio termo: que os galhos do cajueiro não invadam a pista além dos limites que já ultrapassou há alguns anos e que a pista, por sua vez, também não invada o cajueiro. Cada um no seu quadrado, como diz o ditado. E se isso não for resolvido até o próximo verão, corremos o risco de ficarmos conhecidos no Brasil inteiro como o estado onde uma árvore privou turistas e natalenses de conhecerem, sem aporrinhação, um dos pedaços mais lindos do litoral brasileiro.

* Jornalista, diretor de jornalismo da TV Ponta Negra.


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