
| Heranças do Carnatal, agora sem beijo |
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Não é de hoje – aliás, a refrega completa 19 anos! – que a humanidade inteira e a metade de Marte que orbitam em torno de Natal dividem-se entre quem ama e quem odeia o Carnatal. “É uma festa importada”, ralham os mais patriotas. “Prefiro viajar e descansar”, esclarecem logo os hippies-chiques. “Acho um absurdo dar até mil reais por um abadá”, criticam os pseudo proletários que, sim, lá no fundo, também adoram o paraíso. Pois bem: no rescaldo dos ossos, como é mais conhecida a segunda-feira pós-Carnatal, poucos são os radicais que não foram para a micareta e – ó, querida coerência – adoraram a festa! Talvez agora, quando você estiver lendo esse texto, um frenesi enorme já tenha tomado conta da cidade, invadido as sedes dos blocos, congestionado as linhas de celulares e redes sociais e feito todo mundo – e aquela banda de Marte, lembra? – perguntar exaustivamente: “Em que bloco você vai pular?”. “Qual cantor(a) vai arrebentar?”. Por que, então, a maior festa do nosso estado é amada e odiada na mesma proporção pelos natalenses? Na minha opinião de forasteiro decano, porque ela consolidou-se dentro do seu modelo particular – com os prós e contras que realmente tem - e outros eventos, como o Carnaval e o São João, não seguiram sua fórmula de sucesso e são realmente tediosos na nossa cidade. Em tempo: esse ano, o beijo na boca está sugeridamente proibido no Carnatal, por causa da gripe suína. Nada mais emblemático.
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