
| Natal nunca será uma selva de pedra |
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Há uma série de pinturas fantásticas do potiguar Fernando Galvão que retrata Natal daqui a uns 50 anos. Conheço apenas dois quadros,pendurados em casa de amigos. Num, o conjunto de arranhacéus que forma o skyline da Zona Norte, visto a partir das Quintas,é mais bonito do que a Ilha de Manhatan, em Nova York, juro por Deus. Em outra tela, no lugar das casinhas simples de Brasília Teimosa,Galvão pintou um conjunto portentoso de prédios que ocupa toda aquela área que vai da Ponta do Morcego, bate na Ponte de Todos e ocupa os bairros da Ribeira, Rocas e Santos Reis. Para todos os lados, pontes, viadutos, torres futuristas e muito concreto. Não canso de admirar a beleza dessas telas e de pensar: será que um dia Natal se desenvolverá e ficará realmente assim, uma selva de pedra, como é São Paulo, por exemplo? É claro que não, não precisa ser muito inteligente para chegar a essa conclusão. Somos, no dizer de alguém que não me lembro agora, uma fazenda iluminada. Sempre seremos. E isso é ótimo. Basta andar por aí para ver. Natal é, talvez, a única capital litorânea do Nordeste onde a especulação imobiliária nunca avançou sobre a orla, construindo prédios altos que projetam sombra na areia, como em Boa Viagem, no Recife, por uma razão muito simples: não há compradores para os imóveis. Dê uma passada rápida no entorno dos espigões que no passado foram erguidos em Ponta Negra para ver. Está tudo vazio. Nem os gringos se interessam mais. “Foi um erro de investimento”, confessou-me um economista francês aposentado que vive naquelas cercanias. Natal é horizontal, e assim vai ficar por muitos séculos. Um jornalista, Luiz Maria Alvez, fez uma campanha e conseguiu impedir que toda aquela área onde hoje é o Parque das Dunas ficasse intocada. Não são as carpideiras de hoje, portanto, que podem tocar fogo no mundo e afirmar que vamos perder o Morro do Careca de um dia pro outro. Menos, carpideiras, menos. * Jornalista, diretor de jornalismo da TV Ponta Negra.
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