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Diante da dor dos outros

Enquanto nós nos deliciamos com as centenas de dicas de lazer tão bem organizadas neste Solto na Cidade, muita gente ainda não conquistou o direito de fazer três refeições por dia ou mesmo ter um teto para abrigar-se da chuva e do sol.

Sei que falar de miséria humana parece pesado demais para uma página que se pretende leve como esta, muitas vezes lida na mesa de um restaurante ou na fila do cinema, mas a verdade é que estamos perdendo completamente a capacidade de nos emocionarmos com o sofrimento alheio. Por exemplo: quem sabe dizer o que está acontecendo, neste momento, com as vítimas dos terremotos do Haiti e do Chile.

Pode parecer muito longe essas duas referências, mas quem ainda derrama alguma lágrima por uma criança que vende bala num sinal da Prudente de Morais, por um lavador de para-brisas de carro na Olinto Meira ou por uma velhinha que cata papelão pelas ruas de Igapó, tirando dali o seu sustento diário? É muito mais fácil transformar esses personagens em seres invisíveis, fazer de conta que o problema não é conosco e seguir a vida, não é mesmo?

Contra esse estado de letargia, tenho uma dica de leitura (ótima para uma das tardes de chuva que se Deus quiser chegarão logo para aplacar o calor de derreter catedrais que está fazendo): o ensaio Diante da Dor dos Outros, da escritora norte-americana Susan Sontag, inspirado na tragédia do 11 de Setembro (alguém lembra daquele horror ainda?). Como ninguém, Sontag analisou como nos portamos frente a tudo isso, sem sensacionalismo mas também sem indiferença. Apenas diante da dor dos outros.


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