
| Natal na rota da literatura |
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Fiquei extremamente lisonjeado ao participar de uma mesa redonda sobre literatura angolana (país onde morei em 2008 e que tanto amo) no I Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, realizado no TAM no mês passado e organizado pela Funcarte. Ao lembrar de vivências que tive na Festa Literária de Paraty (RJ) e na Jornada Literária de Passo Fundo (RS), listei a receitinha abaixo como forma de dar um contributo a solidificação do evento. Natal tem tudo para entrar no circuito de encontros literários do Brasil. Basta querer. É fácil. 1) Dar um tom comercial ao evento. O dinheiro arrecadado na venda de ingressos iria para um fundo municipal de leitura e compra de livros para escolas públicas. 2) Homenagear um escritor de apelo nacional. Nossos potiguares podem ter o seu valor, mas quem aí já leu Nísia Floresta ou Auta de Sousa? Podem me chicotear, mas eu nunca consegui. 3) Contratar um curador profissional de fora, isento da guerra de egos literários e das mentiras estéticas da província. Há gente fantástica no Brasil só fazendo isso na vida. Profissionalmente. 4) Obrigar os escritores a autografarem e doarem pelo menos dez livros para uma biblioteca local, bem como fazê-los visitar e conversar com nossos futuros leitores – nas escolas. 5) Convidar editoras e livrarias para venderem livros mais baratos no local do evento. Livro é um troço caro, não há o que discutir. 6) Organizar o encontro de forma que atraia turistas de vários cantos do mundo. Muitos brasileiros programam férias para agosto só para estarem na Flip (RJ). É uma questão de calendário. 7) Trazer escritores estrangeiros para o encontro. Isso é fundamental num mundo globalizado. Nossos brasileiros andam muito sem inspiração, vamos combinar. Já ouvir falar da turma de Israel, África do Sul ou da China? Então… 8) Escolher temas (guerra, mulheres, refugiados, jornalismo, gastronomia etc.), montar mesas e não esquecer de um bom serviço de tradução. The book não está mais on the table. 9) Providenciar cópias de trechos de livros para que todos leiam junto com o autor. Nada é mais delicioso do que uma leitura coletiva e depois um bom bate-papo com quem faz do uso da palavra uma profissão. 10) Escalar uma mediação rigorosa das mesas. Perguntas e intervenções da platéia só na hora certa – e completamente vetadas aos chatos de plantão que sempre aparecem nesses encontros tentando exibir uma erudição de almanaque. .
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