
| Eleições antecipadas quanta chatice |
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Passei quatro dias em São Paulo para acompanhar a Virada Cultural, evento que há cinco anos oferece mais de 700 atrações culturais gratuitas durante 24 horas. Até aí, nada demais, se lembrarmos que tudo que é feito naquela metrópole sempre é por deveras grandioso. Para além da Virada em si, uma das coisas que mais me chamou atenção na terra da garoa nesta época do ano é que quase ninguém está falando das eleições de outubro próximo. Ao contrário do nosso RN, onde a considerar pelos jornais e programas de rádio o pleito é já mesmo amanhã, em São Paulo outros aspectos da vida – como trabalhar, produzir riqueza e cultura e fazer girar a economia – são muito mais importantes do que a tal futrica política que desperta paixões e geralmente só faz parar a máquina pública em anos como este, onde também temos a Copa. Fulano almoçou com sicrano? Manchete de capa! Beltrano olhou feio ou de soslaio para sicrano? É rompimento na certa! E se, ao fim e ao cabo, Beltrano resolve dizer que fulano não faz mais parte das suas hostes? Aí é um Deus nos acuda. São semanas e semanas de tintas e declarações na imprensa, com acusações e pedidos de desculpas mútuas, todas com a mesma lógica do roteiro de Lost, série de TV que chegou ao fim sem explicar nada de nada depois de seis anos no ar – ou seja, “mais coisa de político impossível”, como vaticinou uma cobrinha de quatrocentos maracás na cauda no microblog Twitter. Há muita coisa a fazer pela nossa terra e os próprios representantes que pleiteiam cargos públicos sabem disso. Sem contar que é muito perigoso (e chato!) antecipar um fato histórico que terá seu lugar em 03 de outubro. Até lá, muito além do que o disse-me-disse, seria fantástico vermos todos posicionarem-se sobre se acreditam em Deus ou não (FHC perdeu a prefeitura de São Paulo por responder “não”, acredita?), se são a favor ou não do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o uso das células-tronco e, last but not least, o que vão fazer a partir do dia que repousarem seus corpos cansados nas tão sonhadas giroflex do poder. Aí, o RN civiliza-se como SP - e o resto será barbárie.
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