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Solto na Cidade Alta

Construções coloniais, monumentos, museus, praças, igrejas, lugares tradicionais e prédios históricos. Estamos na Cidade Alta, onde Natal começou e onde damos início, a partir desta edição, à série Por dentro dos bairros. Você vai se surpreender com a quantidade de lugares, coisas e pessoas interessantes que tem pra conhecer.

Nossa primeira parada é o tradicional Sebo Vermelho, na avenida Rio Branco, artéria que corta a Cidade Alta de ponta a ponta. Aproveitamos e pedimos ao proprietário, Abimael Silva, que mantém o sebo há 25 anos, para nos ajudar a traçar o roteiro.

Ele sugere que comecemos pelo Instituto Histórico e Geográfico do RN (IHGRN). Recém-reformado, o prédio reabriu no último dia 7 de janeiro. Lá, encontra-se disponível para consulta o maior acervo de documentos e fontes de pesquisas históricas do Estado - muita coisa do período colonial.

No pátio externo, está o Pelourinho, inaugurado em 1599, e a Coluna Capitolina - presente do governo da Itália, entregue em 1931, em agradecimento pela acolhida dos potiguares a dois aviadores italianos, Carlo Del Prete e Arturo Ferrarin.

Saímos do IHGRN para o Museu de Arte Sacra, anexo à Igreja Santo Antônio, a segunda mais antiga de Natal e de fachada barroca. Bem próximo, fica o Memorial Câmara Cascudo. O prédio abriga a biblioteca e outros pertences de Cascudo, além de objetos relacionados aos temas por ele pesquisados.

Em um pulo, chega-se à Praça André de Albuquerque, onde a cidade começou. É lá também que fica a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação. Construída com a fundação da cidade, é a primeira igreja do RN. Vizinhos um do outro, estão o Museu Café Filho, mais antigo sobrado de Natal, e a Casa Colonial - sede do Iphan, exemplar muito bem preservado das moradias do período colonial. 

Abimael Silva lembra ainda do belo prédio da Prefeitura de Natal, em estilo neoclássico, e da Praça Padre João Maria, que está para o potiguar assim como o Padre Cícero está para o cearense. No local, funciona há muito tempo uma feirinha de artesanato e, com certeza, lá é possível se informar sobre mais coisas para fazer na Cidade Alta.

O bairro é também o lugar de maior concentração de sebos em Natal, e há pelo menos três que merecem ser visitados. Além do Sebo Vermelho, voltado para a literatura, tem o sebo de Antônio Carlos, especializado em vinil, e o Balalaika, para quem procura principalmente livros. Na mesma rua do Balalaika, a Vigário Bartolomeu, vale à pena conhecer a Casa do Cordel, do poeta e cordelista Abaeté.

Terminamos a primeira matéria da série Por dentro dos bairros com um roteiro etílico-gastronômico-cultural, reduto dos artistas, intelectuais e boêmios da cidade. Já que estamos na Vigário Bartolomeu, vamos primeiro ao Bar do Pedrinho, que funciona há 39 anos no mesmo local. Também tradicionais são o Bar do Nazaré, na rua Coronel Cascudo, e o Bardallos Comida e Arte, bar, restaurante e galeria de arte que funciona na rua Gonçalves Ledo.

Saindo das adjacências do famoso Beco da Lama, atravessando a Rio Branco e chegando à avenida Princesa Isabel, é fácil encontrar o histórico Café São Luiz. Ponto de encontro de intelectuais, artistas e políticos, existe desde 1937 e pode ser considerado um dos maiores bens culturais vivos de Natal.


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