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O quase centenário Alecrim é um dos bairros mais antigos de Natal e tem como principal marca o comércio popular. É como uma grande feira onde, dizem, de tudo é possível encontrar - e bem barato. Se você tem um eletrodoméstico quebrado e obsoleto, só mesmo lá para achar a peça para substituir a que danificou. Mas tem que ter paciência e disposição para andar em meio ao vai-e-vem de pessoas e ainda disputar as calçadas com os camelôs.
Nos sábados, logo cedo, comerciantes começam a chegar aos bocados e a se acomodar na rua Presidente Sarmento. Logo, está formada a Feira do Alecrim, que, segundo contam, existe há 90 anos. Lugar de história e tradição que o poeta cordelista Elinaldo Gomes de Medeiros, o “Boquinha de Mel”, apresenta em versos: “Amigo vou lhe dizer, ouvinte vou te contar. Se arrume, pois sábado vamos juntos passear, e na feira do Alecrim maravilhas vou te mostrar”.
Mas se for perguntar a alguém onde fica a feira, pergunte pela avenida 1, pois no Alecrim as principais ruas são conhecidas por números – essa também é uma particularidade do bairro, onde está localizado o cemitério mais antigo de Natal. Lá, estão enterradas algumas das principais personalidades da cidade, entre eles, o ex-presidente da República Café Filho, o historiador e folclorista Luís da Câmara Cascudo, o soldado Luiz Gonzaga, militar que virou mártir quando morto na Intentona Comunista, e o ex-prefeito de Natal, Djalma Maranhão.
O Alecrim já foi mais cultural. Teve cinco cinemas (São Luís, São Pedro, São Sebastião, Paroquial e Olde). Dos dois teatros, o Jesiel Figueiredo e o Sandoval Wanderley, restou somente este último. Único em Natal no modelo de arena, fica na avenida Presidente Bandeira (a famosa II), mas está há algum tempo fechado para reforma.
O Alecrim conta com duas praças que fazem parte da história do bairro, a Gentil Ferreira, um dos principais pontos de encontro dos boêmios durante a II Guerra Mundial, e a Praça Pedro II, onde, de acordo os mais antigos, morava uma velhinha que costumava enfeitar com ramos de alecrim os caixões dos “anjinhos” enterrados no cemitério e por isso o bairro teria recebido esse nome. No local, encontra-se a antiga Igreja São Pedro, cuja primeira pedra foi lançada em 1916.
Sendo o bairro popular, não procure por lugares sofisticados para comer. Mas na rua Acari tem o Luna Rossa, um restaurante italiano, pequeno e escondido mas com ambiente aconchegante e pizzas e massas saborosas, preparadas na hora. O estabelecimento, no entanto, só funciona aos sábados e domingos. Para você não dar de cara na porta, o número: 3213 9327.
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