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5 anos de Gira Dança

Por Itaércio Porpino

A Gira Dança, companhia de dança contemporânea formada por pessoas com e sem deficiência, completou no dia 19 de janeiro cinco anos de atividades. As comemorações pelo aniversário tiveram início na noite do dia seguinte, com a apresentação no Teatro Alberto Maranhão do espetáculo “O Jardim das Rosas Amarelas”, que leva ao público uma reflexão e mensagem sobre a esperança e as possibilidades na vida que cada ser humano é capaz de construir, independente do mundo que o rodeia ou das condições em que vive serem favoráveis ou não. O trabalho sintetiza bem o que é a Gira Dança, grupo, ong e ponto de cultura que o Solto pôde conhecer melhor nessa entrevista com o diretor artístico Anderson Leão.

Como começou a Gira Dança?
Eu e o outro diretor artístico da companhia, Roberto Morais, fazíamos parte da Roda Viva Cia de Dança, projeto de extensão da UFRN, até que resolvemos seguir um caminho independente. Queríamos ter mais possibilidades de recursos financeiros para sobreviver do que gostamos, que é a dança.

E estão conseguindo?
A gente vem tentando sobreviver da arte. Nesses cinco anos, sempre precisamos tirar dinheiro de outros trabalhos. Mas 2010 começou melhor. Pela primeira vez iniciamos o ano com dinheiro para pagar aos bailarinos.

A sede é própria?
Não. A nossa pretensão é ter um espaço próprio e adequado para ensaio. Tudo aqui é improvisado. Também queremos criar outras vertentes, trabalhar com teatro, música, e trazer jovens deficientes, o que é bem difícil.

O público tem preconceito com a dança?
Acho que sim. Muita gente não quer sair de casa para assistir a um espetáculo de dança, ainda mais com deficientes. Mas quem vê a companhia se impressiona. O que mais a gente escuta das pessoas é: eu não imaginava que fosse desse jeito.

De que jeito? 
Eu penso que o público que sai de casa e paga para assistir a um espetáculo merece ver um trabalho de alto nível artístico. E é isso que a gente tenta mostrar com o cuidado com a concepção, figurino, cenário, trilha. Para montar “O Jardim das Rosas Amarelas”, por exemplo, trouxemos um coreógrafo de fora, Mário Nascimento, que é uma referência em dança contemporânea. Além da qualidade do espetáculo, o público fica admirado com os deficientes físicos e visuais dançando. Quebramos aquela imagem do deficiente coitadinho. Ninguém está ali para mostrar a deficiência, mas sim o artista, a dança.

Esse trabalho de inclusão da Gira Dança, que começou ainda com a Roda Viva, tem algum reflexo na sociedade?
A gente vê mais deficientes saindo de casa, no mercado de trabalho, leis aparecendo, o Ministério Público atuando e mudanças na forma com que os deficientes se veem e são vistos. Acho que alguma percentagem disso se deve a nossa atuação, que não se resume às apresentações. Enquanto ONG, fazemos um trabalho educativo com estudantes (projeto Gira na Escola) e trabalhadores (projeto Gira na Empresa). É importante a criança ter os deficientes mais presentes na vida delas. Porque tem adultos que não se acostumaram a ver pessoas com deficiência e hoje não conseguem olhar para elas. Não querem assistir a um espetáculo da Gira Dança por achar triste, quando não é. Também mostramos que quando a pessoa se torna deficiente a vida não acaba. O ser humano se adapta.  

Nesses cinco anos o que de mais importante aconteceu à companhia?
Eu destacaria o reconhecimento nacional. A Gira Dança ganhou três prêmios Klauss Vianna de Dança. Em 2006, com “Bulas Perdidas”; em 2007, com “Corpo Estranho”, e em 2009, com “A Cura”, inédito. Em 2006, por meio da Caravana Funarte, a companhia se apresentou em quatro cidades do Brasil: Salvador, Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Outra coisa muito importante foi termos virado ponto de cultura e passarmos a ser reconhecidos como de utilidade pública.

E para 2010, o que está previsto?
Vamos fazer uma turnê pelo interior do Rio Grande do Norte, promover a segunda Mostra Gira Dança e o Prêmio Edson Claro de Dança. A companhia também vai levar o espetáculo “A Cura”, inédito, a cinco cidades brasileiras: Macau, Santa Cruz, Caicó, João Pessoa, Recife e Maceió.       
 


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