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Limbo poético
Solto / Qui, 04 de Março de 2010 00:26

por Milena Azevedo

Expor traumas no papel faz com que encaremos o sofrimento de frente, ajudando a superar experiências incômodas que nos atormentam, libertando a mente para tocar a vida e nos permitindo desfrutar momentos mais amenos e reconfortantes. Alice Sebold escreveu “Uma Vida Interrompida: memórias de um anjo assassinado” para exorcizar o peso de seu próprio estupro, mas o fez de forma tão positiva e luminosa, comovendo tantos leitores, que o livro tornou-se um best seller, fazendo com que o diretor Peter Jackson vislumbrasse a sua adaptação para o cinema.

Em Um olhar do paraíso (The lovely bones - 2009), a trágica história de Susie Salmon é recontada com poesia e muito efeito especial, por um Peter Jackson que nos remete mais a Almas Gêmeas do que ao Senhor dos Aneis, em uma comovente interpretação da jovem atriz Saoirse Ronan.

Susie Salmon (Saoirse Ronan) é uma adolescente cujo maior passatempo é sair tirando fotos da sua vizinhança e de seus familiares, além de se ver às voltas com a insegurança do primeiro amor. Numa tarde, ao voltar para casa, é convidada pelo seu vizinho, George Harvey (Stanley Tucci, que por esse papel concorre ao Oscar de melhor ator coadjuvante), a entrar num espaço subterrâneo que ele acabara de construir. O que ela não sabe é que Harvey é um assassino serial, que a estuprará e a esquartejará, juntando seus adoráveis ossos dentro de um cofre.

O espírito de Susie fica preso no limbo, onde faz amizade com outra garota, Holly, mas o desejo de vingança não permite que aguarde tranquilamente o momento de ir para o céu, então passa a acompanhar o desespero que toma conta de seu pai (Mark Wahlberg) e de sua mãe (Rachel Weiz), que não entendem o seu sumiço e procuram incansavelmente saber o que houve, até que um pedaço de seu corpo é encontrado pela polícia e a cruzada para encontrar o assassino provoca culpa, dor e separação.

O filme de Peter Jackson é mais positivo do que o livro e em nenhum momento assistimos diretamente a cenas de violência mais aguda. Esse excesso de luminosidade e cores, em realidade, atrapalha um pouco o desenrolar dos fatos, pois a narrativa se estende por mais de duas horas e mistura drama, suspense e fantasia, numa tentativa de converter o ódio que o espírito de Susie sente em amor, serenando da mesma forma a sua família.

Última atualização em Qui, 04 de Março de 2010 00:30


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